Bem-vindo ao Blog da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde - Núcleo SP

A Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde trabalha na perspectiva da construção de políticas públicas para a saúde integral sda sociedade brasileira, considerando as epecificidades do povo de terreiro. Sua missão é a luta pelo direito humano à saúde com ênfase nas questões de gênero e raça.

Aqui você encontrará informações sobre as demandas e a atuação das comunidades tradicionais de terreiro no universo da saúde pública. Questões como saúde da população negra, saúde da mulher, humanização, atenção, prevenção e assistência, entre outras, são disponibilizadas aqui por especialistas e lideranças políticas de todo o Estado de São Paulo.

O reconhecimento das comunidades tradicionais de terreiro como núcleos de promoção de saúde e, a releitura de temas como liberdade religiosa, laicidade, o impacto do racismo na saúde, partipação popular, controle social e a necessidade de maior cooperação entre o Estado e as Religiões Afro-Brasileiras são alguns dos pontos que nos mobilizam na busca pela garantia do direito humano a saúde. A Rede é composta dos Sacerdotes, Sacerdotisas e iniciados de diferentes tradições de matrizes africanas em todo o país. Para falar com a Rede, envie e-mail para saudenoterreiro@yahoo.com.br

Confira as notícias da Rede em todo país em:

http://www.religrafosaude.blogspot.com







segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Humanização e promoção da saúde serão temas centrais do IV Seminário da Rede em Piracicaba no próximo fim de semana.




Piracicaba prepara-se para a IV edição do Seminário Paulista da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde que tem início na próxima sexta-feira, dia 28 de Novembro com um ato inter-religioso para celebrar á vida e abençoar as pessoas vivendo com AIDS no Brasil e no mundo. O evento, encerra a campanha de 2009: Ano para a Humanização e a Promoção da Saúde Espiritual, Física e Social. Cerca de 150 pessoas de todas as regiões do Estado de São Paulo são esperadas nas dependências da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da UNICAMP. Entre os temas: o uso medicinal das ervas, a oralidade e a saúde bucal, participação e controle social e AIDS e racismo. Os painéis principais do seminário discutirão a participação das religiões afro-brasileiras nos vinte anos do SUS e o cenário da Rede nos municípios, no Estado de São Paulo e no país. Entre os convidados, José Marmo da Silva/Secretário Executivo da Rede, Marina Gonçalves/Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, Rita Vasconcelos/Rede – Núcleo Recife, Istvan van Dersen Varga/Universidade Federal do Maranhão, Alva Helena/Escola Técnica do SUS – São Paulo, Vanessa Varella da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos e Vera Paiva do Instituto de Psicologia da USP. Para a Rede, este seminário é um marco pós-UNICID visto que as ações realizadas ao longo do ano de 2008 resultaram na ampliação do coletivo para a tomada de decisão de forma mais abrangente e articulada. O evento será encerrado no Domingo quando se dará a entrega do presente de Oxum nas águas do Rio de Piracicaba em agradecimento ás várias conquistas do povo de santo, no que diz respeito ao combate á intolerância religiosa e o racismo, no universo do Sistema Único de Saúde.

Para maiores informações: saudenoterreiro@yahoo.com.br ou nos Telefones: (11) 8219-5595 e 2522-2736.

Prefeitura de Araraquara lança Portal Áfricas


20 de novembro – lançamento de um portal internacional – o Áfricas - coordenado por membros do movimento negro.

O site trará artigos e estudos sobre a população negra, assinados por colaboradores ligados ao movimento. Além disso, notícias, músicas, fórum, personalidades, agenda, colunistas, rádio e tevê complementam o conteúdo.

De acordo com Washington Andrade, Diretor geral, o Áfricas reunirá profissionais brasileiros, dos Estados Unidos, Europa e África ligados, para disseminar a cultura negra de modo geral, assim como a propositura de soluções visando à igualdade racial. “O Áfricas será um portal, um instrumento de conscientização, formação e informação para a comunidade negra e a sociedade mais sensível aos problemas advindos do racismo no Brasil e no mundo”.

Observando os mecanismos de comunicação midiática, segundo o diretor do portal, é patente notar que há uma invisibilidade dos segmentos populacionais negros nos diversos ambientes de produção, transmissão e recepção de mensagens culturais da indústria da mídia. “Seja nas telas da TV, nas folhas dos grandes jornais e revistas, seja nos programas radiofônicos ou no mundo virtual do ciberespaço, o povo negro é constantemente deixado à margem dos meios de comunicação”.

O projeto Áfricas tem como proposta inicial formar e informar, aos interessados do mundo todo, da necessidade de se tomar ciência e consciência sobre a temática racial, o racismo e sobre a cultura negra em geral. “Além de ser um instrumento de informação sobre os grandes temas da atualidade, que dizem respeito tanto aos negros quanto aos não negros”, complementa Washington.

O portal se propõe a levar aos internautas o interesse pela temática racial, de modo que possa ser um mediador e um formador de opinião de um dos grandes problemas enfrentados pela sociedade atual. Assim, a intenção do portal é ser mais uma ferramenta para discutir e propor soluções para retirar o povo negro brasileiro e de outras regiões do mundo da condição de invisibilidade social, política, econômica e cultural em que se encontra.

“Nossa proposta é formar cidadãos cientes e consciências sobre as relações étnico-raciais no Brasil e no mundo, mantendo-os informados, inclusive, sobre a grandiosidade e a riqueza da cultura africana, afro-brasileira e as demais culturas afro-diaspóricas, bem como sobre assuntos que suscitam a discussão da igualdade de oportunidades entre os povos” - afirmou o Prof. Dagoberto Jose Fonseca - Diretor Adjunto.

“É vital para a comunidade negra mundial a criação de mecanismos que lhes proporciona a produção e a transmissão de mensagens que valorize a tradição, a cultura e as maneiras de ser de cada uma das populações afrodescendentes espalhadas pelo globo. - complementa Dagoberto.

Acreditamos que a circulação de informação com um recorte étnico-racial, integrada a uma rede de sites e portais interessados em discutir a condição das populações negras em escala planetária, é de extrema importância para desenvolver a comunicação e a solidariedade entre a população afro-diaspóricas.

Os diretores do site, apostam para o futuro, na criação de ferramentas que complementem o conteúdo virtual: a criação de uma rádio web, com programação 24h; e da TV Áfricas, um canal destinado a entrevistas e documentários.

Assessoria de Imprensa do Portal Áfricas.

Novidade



O livro "Mulheres Negras do Brasil", escrito por Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil, após 3 anos de muita pesquisa em diversos Estados brasileiros e que traz a trajetória destas mulheres - também incríveis, desde o "descobrimento" do Brasil, terá edição em Braille e meio eletrônico!

Iniciativa da Secretaria Especial da Mulher em parceria com o Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Étnico-Racial e o Museu do Estado de Pernambuco em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra

Data: 24 de novembro de 2008 / às 18h

Local: Museu do Estado de Pernambuco - Av. Ruy Barbosa, 960 – Graças / Recife-PE

Mais informações com Suzana Maranhão
suzana.maranhao@secmulher.pe.gov.br - Secretaria Especial da Mulher de PE

Mulheres Negras do Brasil ganhou primeiro lugar do Prêmio Jabuti 2008 - categoria Ciências Sociais e Humanas.

Será este o primeiro trabalho sobre segmento da população negra em linguagem Braille?
Se você souber, por gentileza, informe para nós, para divulgação de acervo –leliagonzalez@leliagonzalez.org.br ou podermulher@terra.com.br

Colaboração:Memorial Lélia Gonzales.

Ministério da Saúde informa: Edital financia ONGs para realização de eventos na área de DST e aids

O Programa Nacional de DST e Aids (PN-DST/AIDS), do Ministério da Saúde, lança, nesta sexta-feira 21 de novembro, edital de financiamento de eventos relacionados ao tema das DST, HIV e aids em 2009. O montante dos recursos é de R$ 1,3 milhões e destina-se a Organizações da Sociedade Civil (OSC), sem fins lucrativo. Cada projeto receberá até R$ 100 mil para projetos de âmbito nacional e R$ 50 mil para ações regionais.

O objetivo é apoiar eventos relacionados à temática de DST e aids e à resposta ao enfrentamento da epidemia. Os projetos devem contribuir para o fortalecimento e/ou capacitação de redes, fóruns e movimentos sociais de populações mais vulneráveis.

As inscrições seguem até 29 de dezembro deste ano. O resultado dos projetos selecionados será divulgado até o dia 13 de fevereiro. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (61) 3448 8024 ou 3448 8124 ou pelo e-mail: scdh@aids.gov.br.

Mais informações à imprensa
Ministério da Saúde
Programa Nacional de DST e Aids
Assessoria de Imprensa
Tel: (61) 3448-8088/ 8100/ 8106/ 8090
E-mail: imprensa@aids.gov.br

IPEA lança livro sobre desigualdades raciais:




As políticas públicas e a desigualdade racial no Brasil
120 anos após a abolição

Mário Theodoro (org.) Luciana Jaccoud Rafael Guerreiro e Osório Sergei Soares / Brasília, 2008

O livro apresenta um conjunto de estudos enfocando diversos aspectos da questão racial no Brasil. Inicia com um enfoque histórico (capítulo 1), que analisa a formação do mercado de trabalho brasileiro à luz do passado escravista e da transição para o trabalho livre. Na seqüência, há um capítulo (2) sobre a discriminação racial e a ideologia do branqueamento que ganham força, sobretudo a partir da abolição.

O terceiro capítulo trata do tema racial tendo em vista as diferentes abordagens sobre a questão da mobilidade social, proporcionando um rico quadro da trajetória dos estudos relacionados ao tema. Os capítulos 4 e 5 tratam dos dados mais recentes sobre as desigualdades raciais, extraídos da Pnad: um sobre os aspectos demográficos outro sobre os diferencias de renda. Já o capítulo 6 trata das políticas públicas de combate à desigualdade racial no Brasil, seus limites e abrangência. Finalmente, no capítulo 7 são apresentadas algumas conclusões com base no que foi discutido nos capítulos anteriores.

Para baixar o livro, acesse: http://www.ipea.gov.br

Solicitação de exemplares: glaucia@ipea.gov.br

Lançamento

Dia 28 de Novembro, na abertura do IV Seminário Paulista, a Rede fará a apresentação de produtos importantes que marcam a sua parceria com a gestão pública. O Núcleo Piracicaba, coordenado pelo Babalorixá Eduardo Gomes de Oxumare, irá lançar o folder da Rede destinado á prevenção do HIV e da AIDS, que traz textos em concordância com os valores e princípios das tradições de matrizes africanas. Esta atividade é um marco na relação entre o Sistema Único de Saúde e as religiões afro-brasileiras. O uso da linguagem do povo de santo nos materiais educativos no SUS é uma antiga reinvindicação que aos poucos vem apresentando resultados significativos para o reconhecimento dos Terreiros como núcleos de promoção de saúde. O folder é um símbolo da parceria da Rede com a Prefeitura de Piracicaba e será destinado aos Terreiros da cidade para assim ampliar o trabalho em prevenção do vírus da AIDS e das HIV várias doenças sexualmente transmissíveis.

São Paulo discuti participação e controle social da epidemia de AIDS.

No último 15 de Novembro a Comissão Municipal de DST/AIDS do Conselho Municipal de Saúde de São Paulo e os conselheiros gestores da Rede Municipal Especializada em DST/AIDS encontraram-se na Oficina Municipal de HIV/AIDS, Participação e Controle Social. A oficina,organizada pelos membros da Comissão que é coordenada pelo Babalorixá Celso Ricardo Monteiro de Oxaguián, discutiu as práticas de participação popular e controle social diante da epidemia de AIDS na cidade, bem como os desafios da relação entre os gestores e os profissionais de saúde. Cerca de oitenta pessoas de toda a cidade tiveram a oportunidade de avaliar o cotidiano dos conselhos gestores e sua interface, com os demais espaços de tomada de decisão no município, para assim qualificarem o seu trabalho. Optou-se por métodos participativos e em uma grande roda, as pessoas puderam trazer á tona boa parte de seus problemas locais, também nos grupos de trabalho que por sua vez investiram no debate sobre as questões territoriais que permeiam a epidemia de aids na cidade. Entre os presentes, usuários, profissionais de saúde, agentes de prevenção, gestores e representantes das coordenadorias de saúde das principais regiões da cidade. A atividade é um desdobramento do I Seminário de HIV/AIDS e Controle Social do Município de São Paulo, realizado em 2007 e compõem um pacote de ações coordenadas pela Articulação com a Sociedade Civil Organizada do Programa Municipal de DST/AIDS. Entre as dificuldades está o entendimento de que os papéis e as responsabilidades dos diferentes atores deve ser uma pauta constante no processo de articulação que envolve os serviços, mas também os conselhos gestores, a Comissão de AIDS e o Conselho Municipal de Saúde. Para as lideranças que participaram do processo, é nítido o buraco nestas relações e para tapá-lo a melhor estratégia é a ampliação do debate.

sábado, 15 de novembro de 2008

O acordo Brasil-Vaticano

No dia 13 de novembro, o presidente Lula assinou um acordo com o Vaticano que impõe diversas condições sobre o funcionamento da igreja e da fé católica no país. Esse acordo vem sendo costurado há algum tempo em absoluto segredo, e não é para menos. As autoridades de ambos os lados se apressaram em afirmar que ele não concede privilégio nenhum, exatamente porque ocorre o contrário. 

Para amenizar o golpe, o documento cita diversas vezes a legislação brasileira. Apesar disso, ele abre diversas brechas que atentam diretamente contra princípios fundamentais da democracia, e por isso vale a pena analisar alguns artigos com cuidado.

O artigo sexto, por exemplo, determina que
As Altas Partes [Brasil e Vaticano] reconhecem que o patrimônio histórico, artístico e cultural da Igreja Católica, assim como os documentos custodiados nos seus arquivos e bibliotecas, constituem parte relevante do patrimônio cultural brasileiro, e continuarão a cooperar para salvaguardar, valorizar e promover a fruição dos bens, móveis e imóveis, de propriedade da Igreja Católica ou de outras pessoas jurídicas eclesiásticas, que sejam considerados pelo Brasil como parte de seu patrimônio cultural e artístico.

§ 1º. A República Federativa do Brasil, em atenção ao princípio da cooperação, reconhece que a finalidade própria dos bens eclesiásticos mencionados no caput deste artigo deve ser salvaguardada pelo ordenamento jurídico brasileiro, sem prejuízo de outras finalidades que possam surgir da sua natureza cultural. 
Esse artigo faz tábua rasa de todas as contribuições da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) em quinhentos anos de Brasil, declarando-as todas igualmente dignas. De imediato, os críticos apontarão o genocídio cultural dos indígenas, a Santa Inquisição, quatro séculos de implacável perseguição religiosa, o apoio à escravidão, a oposição ferrenha às camisinhas, aos métodos de contracepção, ao divórcio, às técnicas reprodutivas, ao uso de células-tronco e tantas outras ações do mesmo tipo como argumentos em contrário. Se esses argumentos são suficientemente fortes para fazer a balança pender para o lado contrário, simplesmente não cabe ao Estado julgar. Do contário, ele estará rompendo a necessária neutralidade imposta pela laicidade, oferecendo um apoio, ou ao menos especial deferência, com sabor de aliança -- vetada pelo artigo 19 da Constituição Federal.

Além disso, esse dispositivo iguala preciosas jóias da arquitetura e da arte brasileira com cada pequena igreja sem qualquer valor cultural ou artístico que mereça atenção do Estado, deixando aberta uma via para que se pleiteie que qualquer parte do patrimônio da ICAR receba tratamento especial do Estado, incluindo recursos públicos. É um notável contraste com o patrimônio cultural de diversos outros grupos religiosos, que são tradicionalmente menosprezados. Em suma, todos os demais grupos que entendem que seu patrimônio também deve ser salvaguardado deverão entrar na justiça. A ICAR, por outro lado, já tem direitos plenos assegurados que agora são reiterados, o que constitui uma gritante assimetria de posições e de direitos.

O mesmo se dá com respeito ao ensino religioso. Segundo o artigo décimo-primeiro, 

A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa.

§1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação. 
Grande parte do artigo é simples cópia da legislação brasileira, mas há uma diferença importante: apesar de proibir discriminação, ele fala em "ensino religioso católico", o que reforça a interpretação de que a disposição estabelece ensino confessional. A legislação atual já proíbe o proselitismo, e mesmo assim alguns Estados implementaram ensino confessional. O artigo acima segue a mesma trilha, abrindo caminho para institucionalizar a confessionalidade.

O artigo décimo-quarto institui que

A República Federativa do Brasil declara o seu empenho na destinação de espaços a fins religiosos, que deverão ser previstos nos instrumentos de planejamento urbano a serem estabelecidos no respectivo Plano Diretor.
Aqui o acordo inova, introduzindo deveres positivos do Estado face à religião. Não há nenhum paralelo a essa disposição na legislação brasileira, exatamente porque isso é vedado pelo princípio da laicidade. Ao institituir esse dever, o Estado invade a seara religiosa para se tornar ator e diretor da cena religiosa, quando deveria ser apenas contra-regra. 

Esse dispositivo introduz o peso do Estado no cenário religioso, criando vários tipos de privilégios de alguns grupos sobre outros. Em primeiro lugar, ele interfere no mercado imobiliário, retirando a possibilidade de livre negociação dos espaços urbanos, respeitadas as leis de zoneamento. Sabe-se que todos os espaços urbanos têm potencial de gerar renda, e portanto essa destinação especial tem o poder de conceder esse privilégio aos grupos religiosos em detrimento das demais
possibilidades de uso, que deveriam gozar de direitos iguais.

Ademais, uma medida desse tipo privilegia a religião organizada sobre as demais religiosidades. A moderna diversidade religiosa, cujo interesse deveria guiar as políticas com verdadeiro interesse público, inclui pagãos e neo-pagãos, espiritualistas, animistas e vários outros grupos que não possuem instituições formais, hierarquias ou locais fixos de culto comum. Além disso, uma parcela considerável da população brasileira tem crenças religiosas mas não está ligado a nenhuma instituição ou confissão específica, e outra parcela é de ateus e agnósticos. A política especificada pelo artigo décimo-quarto acaba por financiar os grupos religiosos com bens imóveis à custa dos demais. Fazer isso é determinar que existem classes de cidadãos com posições filosóficas que devem ser amparadas pelo Estado, e classes de cidadãos com posições filosóficas que não devem ser amparadas pelo Estado, o que não só institui que existem cidadãos, instituições e ideologias de segunda categoria, violando o princípio da igualdade, como constitui flagrante violação à liberdade de consciência e crença.

Já no artigo oitavo, lê-se:

A Igreja Católica, em vista do bem comum da sociedade brasileira, especialmente dos cidadãos mais necessitados, compromete-se, observadas as exigências da lei, a dar assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, de assistência social, de educação ou similar, ou detidos em estabelecimento prisional ou similar, observadas as normas de cada estabelecimento, e que, por essa razão, estejam impedidos de exercer em condições normais a prática religiosa e a requeiram. A República Federativa do Brasil garante à Igreja Católica o direito de exercer este serviço, inerente à sua própria missão. 
De fato, a ICAR tem esse direito e deve continuar a tê-lo. O curioso é que esse direito já é assegurado pela Constituição Federal, e é notório o fato de que ele vem sendo exercido plenamente e sem nenhum revés há muito tempo. Em alguns casos existe inclusive benefício especial, como se dá nas capelanias militares católicas, que são muito saudáveis e prósperas, e regidas por dispositivos legais especiais, enquanto inexistem quaisquer capelães de confissões não-cristãs.

Por outro lado, há um grande número de casos registrados de sacerdotes de religiões afro-brasileiras que não conseguem entrar em hospitais, prisões e quartéis para exercer seus direitos constitucionais. Ou seja: o acordo com o Vaticano graciosamente repete um direito de quem já o exercia plenamente enquanto os demais grupos continuam sem conseguir exercer o mesmo direito. 

O mesmo espírito permeia diveros outros artigos. O artigo segundo garante o exercício público das atividades da ICAR; o terceiro reafirma sua personalidade jurídica; o quinto concede direitos e benefícios comuns às entidades assistenciais; o sétimo dá proteção a sua liturgia e locais de culto; o décimo reconhece o direito aos institutos de formação e cultura; o décimo-segundo reconhece validade civil do casamento religioso; o décimo-quinto reconhece sua imunidade tributária e iguala as instituições sociais e educacionais da ICAR sem fins lucrativos às entidades filantrópicas.

Na teoria, todos esses dispositivos só repetem o que já está escrito na lei brasileira. Na prática, eles reconhecem direitos de quem já os exerce, e deixa ao Deus-dará quem nunca conseguiu exercê-los de fato.

Talvez isso não fosse tão grave na Suíça. Aqui no Brasil já existe uma longa tradição de que alguns são mais iguais do que os outros, mesmo perante os tribunais. O judicário tem o mau costume de aduzir motivações religiosas em sentenças relativas a direitos sexuais e reprodutivos, e alguns juízes chegam até a indicar a religião que devem seguir os presos com benefício a liberdade condicional. O Legislativo e o Executivo não ficam atrás e utilizam amplamente ritos e livros religiosos em seu cerimonial, além de criar leis com viés religioso. Não é coincidência nenhuma que o viés em todos esses poderes seja o mesmo que agora se quer consolidar com o acordo internacional.

Ainda que ele não instituísse de fato nenhuma diferença com relação às práticas correntes, o acordo em questão se dá através de um instrumento legal que nenhum outro grupo religioso ou arreligioso pode ter, pois só a ICAR tem um Estado que a representa. Essa incidental conjuntura histórica não pode ser utilizada para fazer prevalecer o direito de alguns enquanto os demais permanecem desamparados pelo Estado. No mínimo, o ato assinado com o Vaticano vai servir para sacramentar as diferenças já existentes, dando motivos mais claros para avançar sobre a laicidade do Estado já que existe uma, e somente uma confissão religiosa, que fixou acordo com o Estado brasileiro. Juízes, deputados e senadores terão um motivo a mais para justificar seu viés, mesmo que ao arrepio da lei.

Por isso, é da maior importância lutar contra a ratificação desse acordo no Congresso Nacional. As forças da sociedade civil, e em especial os grupos mais atingidos com as constantes violações da laicidade do Estado brasileiro, como minorias religiosas e mulheres, devem se organizar para pressionar os parlamentares nesse sentido e fazer valer a defesa intransigente dos direitos individuais que deve caracterizar toda democracia sólida.

sábado, 1 de novembro de 2008

Organização em Rede é pauta de palestra na abertura do III Encontro de Núcleos da Rede


A abertura do III Encontro de Núcleos da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde foi marcada pelo debate sobre conceito de rede e organização da comunidade de Terreiro para a eficácia do SUS. O Babalorixá Celso Ricardo Monteiro de Oxaguián, do GVTR – Grupo de Valorização do Trabalho em Rede discutiu com os membros da Rede a importância da atuação coletiva rumo ao cumprimento das regras e normas que norteiam o sistema. O artigo de Francisco Whitaker que acompanha o vídeo “Conversando com Chico Whitaker – Sobre Redes” das Edições Paulinas foi quem norteou o debate entre os religiosos. Construir e manter uma rede implica diferenciar-se do sistema piramidial de sua estrutura hierárquica vertical, que segundo o autor, está literalmente ligado à vaidade e o gosto pelo poder centralizado. Para a eficiência de uma rede na forma como está estruturada a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde é fundamental que seja incentivada a autonomia, importância e a possibilidade de contribuição de cada um dos atores envolvidos neste processo. A idéia de que a rede tem dono, segundo Pai Celso dá ao grupo uma conotação diferenciada do que se deseja neste sentido e fundamental que as pessoas e instituições participem de todo o processo de delineamento, realização e avaliação das ações. Para o palestrante, a experiência da Rede, referência no país demonstra que os cenários locais são diferenciados e que toda atuação que busca a mudança de determinadas realidades deve sim leva em consideração as questões do “eu” mas deve priorizar o desejo do coletivo pois as questões “quem somos e o que queremos” é quem dará o tom da atividade do grupo.

Os presentes lembraram que o debate sobre a diferença entre organizações não governamentais e as redes sociais, foi o que alterou a dinâmica de trabalho da Rede de Religiões no Estado, o que garantiu também a ampliação do grupo e a qualificação do trabalho.

Mais trabalho, agora em Bragança Paulista



Bragança Paulista foi palco da Oficina de religiões afro-brasileiras e saúde realizada pela Rede no dia 30 de Outubro. Pai Zézinho de Oxossi e Marlene Sales organizaram a Oficina me parceria com a ARCAB e resultou na acolhida á vários Sacerdotes, Sacerdotisas e filhos de santo da região bragantina, alé do movimento negro, da gestora do Programa de DST/Aids da Cidade, Tania Maria G. Clemente, Dr. Estela M.F. Gianessello e os alunos de medicina, da Universadide São Francisco, visita esta coordenada pelo Prof. Paulo de Tarso.
O diálogo com a gestão foi uma marca do encontro, que conforme o previsto trouxe largas contribuições para o Dia de Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra na cidade.
A presença do Babalorixá Wagner de Oiyá de São Vicente, de Ariton Lourenço de Bertioga, e de tantas outras lideranças deu-se em apoio ao Núcleo local da Rede e entre os resultados pode-se registrar: a necessidade de ampliação do debate e para tal o convite aos Terreiros da cidade; a articulação da Rede com o Conselho municipal de Saúde, a eleição de temas importantes para realização de oficinas sobre promoção de saúde ao longo deo ano de 2009 e de capacitação sobre temas relevantes, tais como controle social, prevenção do HIV, do câncer do colo de útero, etc;

O evento foi coberto pela imprensa local que já havia divulgado o acontecimento na véspera e agora vai alimentar o debate na cidade rumo ao seminário paulista em Piracicaba.

Maiores informações: PAI ZEZINHO DE OXOSSI, e-mail:jssilva.41@hotmail.com

Gênero, segundo as religiões de matrizes africanas






Por entender que as mulheres são fundamentais no universo dos Terreiros e que o matriarcado é um valor fundamental no desenvolvimento das religiões de matrizes africanas praticadas no Brasil, a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde/Núcleo Estado de São Paulo, irá homenagear durante o seu quarto seminário, quatro lideranças históricas.
As salas da Faculdade de Odontologia de Piracicaba ganaharão o nome de Sacerdotisas de quatro religiões afro-brasileiras durante o seminário. Seus nomes estão associados á momentos e lutas políticas em defesa de nossas tradições, mas também ao desenvolvimento da comunidade onde atuaram ou continuam atuando. Mametu Kaiyandewa, de Tradição Angola-Bantu, Vó Dejanira do Cobra Coral, Mãe Beata de Iemanjá do rio de Janeiro e a saudosa Mãe Ivanize de Xangô, Rainha do Marakatú de Recife, serão as homenageadas. A proposta inicial é preservar o espaço e a fala da tradição, como informa a coordenação do evento. A escolha dos nomes se deu por conta da Rede entender que território é uma questão fundamental quando se fala em valores destas religiões e as Sacerdotisas escolhidas levaram isto á risca ao longo de suas histórias de vida, sempre cuidando da comunidade e conribuindo para com a valorização das tradições afro-brasileiras.

O seminário acontece entre 28 e 30 de Novembro de 2008.
Maiores informações em saudenoterreiro@yahoo.com.br ou arrobaboi@bol.com.br

Ampliação da Rede marca III Encontro de Núcleos




Durante o III Encontro de Núcleos da Rede, Mongaguá e Santos foram formalmente inseridas no Mapa da Rede. O Babalorixá Badé o Babalorixá Odeloiyá foram apresentados e referendados na reunião do colegiado para coordenarem Mongaguá e Santos, respectivamente.

Para Badeh, o Governo de Santos já é parceiro, tem propostas e espera pela participação ativa do povo de santo no universo da saúde. São muitos os problemas na cidade mas é possível uma mudança a partir da Rede organizada na cidade.

Odeloyá informou que o trabalho de acompanhamento da política da cidde já é um fato na cidade de Mongaguá, mas com a Rede é possível potencializar o que já exsite e ampliar o trabalho em âmbito local. A ampliação da Rede na Costa da Mata Atlântica é resultado alcançado pelo I Seminário Regional da Rede naquela região, que aconteceu em Agosto de 2008. Na ocasião, os religiosos debateram conceito e as práticas de saúde no Terreiro e no SUS, além de se aproximarem dos valores e objetivos da Rede.

Demandas e decisões marcam encontro de lideranças da Rede em São Vicente




Realizado entre 16 e 17 de Ouutbro de 2008 no Ile Oiyá Dodê, o III Encontro de Núcleos da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde foi marcado pela auto-crítica, pelas decisões e comprometimento da Rede. Os coordenadores de núcleos da Rede se encontraram para definir os próximos passos do colegiado e no encontro optaram ppor apliar o debate sobre a qualidade do trabalho prestado á comunidade de Terreiro e a ampliação da Rede, que por sua ves deve contar com cada vez mais fôlego na relação com o poder público.
O encontro foi aberto pelo Babalorixá Wagner de Oiyá, Sacerdote do Terreiro anfitrião e coordenador do núcleo local, que falou sobre a necessidade dos Terreiros se abrirem para outras possiblidades e atuações. "Se todos deram as sus contribuições, o Terreiro conseguirá fazer muito mais e muiot melhor do que ja faz" disse o Coordenador de São Vicente.
A reunião foi um espaço político, interno, que cntribuiu pra reafirmar os laços, organizar a comunidade e avaliar os passos que foram dados desde a realização do encontro de Núcleos realizado em Bertioga em Junho de 2008.

Maiores informações: lilianafro@hotmail.com

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